" Céuvagem à mar "
Testemunho do tempo são os teus primeiros suspiros
Embora útero partenogênese,
Fizestes amor com cada Bólide rebelde que em ti mergulhou
És constelações de Glúons com suave carga de cor.
Fazes de tudo que alcanças anamneses sinapses,
Resgate de Ad eternumde qualquer primeiro sabor.

Conservastes em tua essência Uníssona,
Cinemático mestre,
Fiel memoria que Universo deixou.
Submerso em ti implosão de sons e ondas,
Tempestades que ainda aguardampor explosão que passou.

Sei que a noite sua superfície é só saudades de cada estrela irmã que deixastes
E que o Sol só nasce para te acalmar,
Acalento entre Astros,
Potencia máxima do Átomo é quando ele te beija antes de se deitar.

Milhões de anos de transa vulcânica com a Terra e Meteoros
Somos todos frutos desse poligâmico caso de amor
Orgia de elementos, sopa de substâncias, liquefação não fracionada.
Geraram LOPHIIFORME Seres que compartilham a mesma corrente sanguínea
Oníricos ainda incapazesde compartilhar a mesma dor.

Segredo dos Crátons, revelastes aos quatro ventos,
Anima da Simetria Bilateral,
Revelado por nosso impoluto silêncio,
Convergência frequência dosplanos, com sacríficos, unificou.

És antítese da tríade, núcleo cósmico indivisível,
Mórfica Ontogenia,
Poucas borboletas rastejaram antes de raridade,
Por cima de ti sobrevoar.
Abençoadas pela coragem se lançam aos seus destinos antes da morte
Como Gaivotas representam o mergulho meteórico,
De predador a presa a qualquer instante,
“Céuvagem à mar”.

Tu és destino do mergulho dos deuses,
Quando próximo de abdicarem a fé,
Salvação é no descanso dançar.
E como tudo tocado por ti vira dança,
Decantas cada matéria, mortal ou espiritual,
Recolocam  no lugar.

Talvez por isso todas as criaturas da Terra,
Das que mantiveram fies a ti, as que firmaram no solo e às que cruzam o ar
Nasceram com o mesmo sonho, imagem inconsciente
Ser menos ÍRIDIO,
Nossos corpos à tua corrosão entregar.
Manter somente os sais mais altamente coloridos,
Domos de lava resfriar,
Ao emergir resistência dos cílios já saudosos do abraço que acabaram de dar.
Teus subestimados cristais palpáveis pistas de fragmentos lunar.

Expressão da tua revolta é cada onda tua à anteriortentar superar,
Tentativa em vão, de vã, ao tocar estrelas,
Significado de tua existência encontrar.
Que cada beijo que dás na areia
Espuma é a rachadura no teu ser por não poder,
Responder ao teu próprio tempo e pouco a mais, que seja ficar.

Maldita física terrestre, somos todos reféns.
Sabemos que quando tua salinidade for capaz de secar as nossas lágrimas,
Cada vez que nos despedirmos,
Portão seco Bab-El-Mandeb,
Saudade em paz,
Abissopelágica vira beirada do nosso infinito mar.
Vinícius Faria Zinn.
Mar Selvagem - Vicente de Carvalho Revisitado
Mar Selvagem é uma antologia em homenagem ao poeta Vicente de Carvalho. Reconhecido por nomes como Euclides da Cunha, que lhe conferiu o epíteto de “Poeta do Mar” no prefácio que fez ao seu livro Poemas e Canções, Fernando Pessoa e José Lino Grunewald, seus sonetos permanecem entre os mais perfeitos da lírica em língua portuguesa.

Vicente Augusto de Carvalho nasceu e morreu em Santos (5/04/1866 – 22/04/1922). Publicou diversos livros, entre eles Ardentias (1885), Rosa, Rosa de Amor (1902) e Poemas e Canções (1908). Além de escritor, foi jornalista, político, jurista e abolicionista, tendo ajudado escravos fugitivos a se esconderem no Quilombo do Jabaquara, em Santos.

A presente antologia une poetas de diferentes regiões do Brasil em torno do principal tema de sua obra: o mar! Assim, poetas de Santos (SP), São Vicente (SP), Cubatão (SP), Jundiaí (SP), Itararé (SP), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE), Recife (PE), Brasília (DF) e Maringá (PR) navegam em sua poética. Todos marujos e argonautas resistindo pelo encanto da linguagem solta, úmida, verbo de brisa, bruma e maresia! 

São eles: Ademir Demarchi, Alessio Forté, Anselmo Vasconcelos, Antonio Eduardo Santos, Barbara Muglia-Rodrigues, Barney Days, Caio Cardoso Tardelli, Carlos Emilio C. Lima, Carlos Pessoa Rosa, Christina Amorim, Clara Sznifer, Claudia Brino, Claudia Marczak, Ernani Fraga, Flavio Meyer, Flávio Viegas Amoreira, Joceani Stein, José Geraldo Neres, Laert Falci, Luís Sansevero, Luis Serguilha, Madeleine Alves, Madô Martins, Marcelo Ariel, Marcelo Ignacio, Márcio Barreto, Maria José F. Goldschimidt, Mauricio Adinolfi, Natalia Barros, Orleyd Faya, Plinio Augusto Soares, Raul Christiano, Regina Alonso, Reynaldo Damazio, Rodrigo Savazoni, Roberta Tostes Daniel, Silas Correa Leite, Tamara Castro, Valerio Oliveira, Vieira Vivo, Walter Smetak (1913 – 1984), Vinicius Faria Zinn e Yuri Pospichil. 
O prefácio é assinado por Regina Carvalho, bisneta de Vicente.

Desde Homero, imemorial, o Mar é o elemento literário por natureza: todo homem que nasce a beira mar tem tendência a ser um sábio. Esse telurismo diante do infindo contamina virtuosisticamente nossa linguagem, fortalece mirada ampla ao horizonte e aprofunda por contiguidade nosso sentimento atlântico do mundo! Walt Whitman, Fernando Pessoa, Kaváfis! Ao lado desses mestres oceânicos o Brasil tem em Vicente de Carvalho o seu avatar literário marítimo maior! O mar vai além do cais, localidade, baía, golfo. É atmosfera do espírito: poetas, somos faróis da humanidade ao longo e ao largo do mistério... É sabido que 90% da população humana vive até 100km dos mares: mar é útero, espelho, aconchego com o divino estelar que reflete. 

A Editora Imaginário Coletivo, com este livro, ergue uma ponte entre o passado e o presente, ponte que precisa ser mantida, pois sem ela, jamais alcançaremos o rio que desemboca no grande mar do Poema.
Mar Selvagem - Vicente de Carvalho Revisitado
Márcio Barreto (Org.) - Editora Imaginário Coletivo - 184 páginas
https://allevents.in/santos/mar-selvagem-vicente-de-carvalho-revisitado/1892066964411966
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